
Certas coisas eu nunca pensei conhecer antes dos meus vinte e um anos. Essa, especificamente, já tinha ouvido falar por uma amiga que trabalhava comigo, mas foi na última sexta-feira que pude ver, tocar e usar pela primeira vez na vida um mata-mosquito elétrico.
Não, ele não caça indefesos pernilongos sozinho, nem mesmo tem que ligar na tomada, mas o efeito produzido ao entrar em contato com esses seres que tanto divertem nossas noites é considerável. Vamos à imaginação.
Personagens: Eu, minha avó, minha tia (para os mais íntimos, a tia ponto G) e um mosquito;
Cenário: Copa da casa da minha avó;
- Comprei por um catálogo. Na verdade pedi cinco, mas só veio um.
- Mas funciona? Eu já ouvi falar, uma amiga do serviço disse que comprou e foi sensação na família, todo mundo quis.
- Seu tio vai se divertir caçando pernilongos com isso.
Pausa. Todos já devem ter presenciado o barulho de uma biribinha, não?! Esses estalos vendidos em época de festa junina, São João para alguns, que criança adora colocar embaixo do carpete para dar susto em algum desprevenido. Pois é, o mosquito era a biribinha. O que aconteceu depois de minha avó passar o mata-mosquito pelo pobre animal foram três gritos de susto, um de cada sobrevivente, pois ninguém imaginava que um simples brinquedo explodiria o bichinho soltando faíscas azuis. Agora ocupamos nosso tempo em testar com outros mosquitos maiores, e afirmo que em casa os pernilongos nem aparecem mais, justo agora que eu queria tanto brincar com eles.
Eu não quero que acabe. Há um tempo tenho vivido com outras pessoas, com outras situações, em outro mundo. E cada dia tenho que me despedir mais, me conformar, e ver amigos indo embora, assim assim, como se eu fosse um mero espectador. Na verdade eu sou, mas não admito. É nessas horas que queria ser Alice, e mergulhar no país das maravilhas. Queria ter esse poder mágico de encontrar o que estou sonhando, achar esses lugares mágicos, porque vivo procurando magia nesse mundo e a maior parte do tempo eu encontro a realidade. Meu passaporte? Tem carimbo de milhões de lugares, mas não há viva alma que diga que eu não estivesse de corpo presente aqui nessa terra do frio-calor, calor-frio. Minha última morada está sendo em Avalon, e com tristeza me despeço. Vou sentir falta, porque dessas pessoas eu conheci até o pensamento.
Quando comecei a escrever era mais uma crônica do dia-a-dia, mas tomou um significado muito maior a cada palavra que saiu, palavras que nem tive que pensar muito para escrever, e de uma hora para outra consegui expressar o que eu sinto em relação a muita coisa. Muda coisa ou outra, quem me conhece muito verá o que tento dizer em algumas linhas, essas mesmas aí de cima.