
18/19
Nesses recentes anos minha vida mudou absurdamente. Ao terminar o colégio, mudei corte de cabelo, peso e interesses. Decidi por publicidade e propaganda e a escolha parecia óbvia demais, como se fosse algo que eu já soubesse, porque não duvidei dia algum se havia feito a escolha certa.
Um ano de cursinho etapa que serviram para conhecer professores engraçados, amigos muito legais, o que é estudar e amadurecer mais um pouco. Foi um ano bastante estressante pela incerteza do futuro.
Num começo de fevereiro, estou indo com minha irmã, tia e tio ver uma amiga deles cantar quando toca meu telefone. Era minha outra tia dizendo que eu havia passado na Cásper. Insistia que ela estava confundindo, que havia visto o resultado da outra faculdade que já estava matrículado, pois o resultado só sairia dias depois. Ela insistiu e eu saí achando que não tinha nexo algum aquilo. Volto mais tarde e vou confirmar que ela estava certa. Entrei sim na melhor faculdade de comunicação do país. Estava na Cásper Líbero. Desse dia para cá, minha vida só tem melhorado. Cada dia é mais significante, cada dia é mais feliz. Os amigos que tenho, tanto dos outros anos quanto os de uma tal sala chamada "PPC" são dignos de todo meu respeito, admiração e amor. Passei um ano ótimo, fazendo as pazes comigo mesmo e vivendo a vida plenamente. Conto nos dedos as coisas que não realizei ainda, e a maioria são planos grandes, de um futuro sem data. Não consigo descrever tanta alegria no coração e só peço que o próximo ano seja bom como esse foi, porque, assim, de ano em ano, serei a pessoa mais feliz do mundo!
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A essa altura, achava que minha vida já estava traçada. Não faria mais artes cênicas, cansara do teatro, mas faria Arquitetura. Foi o melhor semestre do curso técnico, já não me preocupava com os outros e adorava o grupo que andava. Dividia meu tempo em ajudar nas organizações das gincanas, fazer ´farofa´ no Ibirapuera, tirar fotos de São Paulo, conversar com um pessoal bem mais velho e muito legal etc. Estava super bem, com exceção do meu corpo. Cheguei a um absurdo de peso, me escondia atrás de roupas largas e morria de vergonha de mim mesmo. Decidi que tinha que mudar, pois não era aquilo que eu queria mais, e aí começou minha batalha sem inimigos....
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No segundo ano do colegial conheci um pessoal muito legal, que eu não conversa, coisa boba. Eram uma meninas que participavam do teatro, que já havia visto antes de entrar no Guaracy, mas por besteira não parávamos para conversar. Uma delas até me escolheu para fazer o "8" na lousa, no primeiro ano, na aula de educação física. Queria matá-la por aquela vergonha.
Comecei o curso técnico e conheci mais gente, mais pessoas incríveis, que me fizeram conhecer tanta coisa em tão pouco tempo que nem tenho como agradecê-los. Meu dia era completo e minha noite divertida. Foi um ano sem grandes feitos, mas que não quero esquecer. Bom, talvez a dp em biologia que fiz esse ano, ou talvez as dps de desenho arquitetônico e desenho hidráulico que conquistei...
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Paradoxo: Foi um ano traumatizante mas de grande valia. Imagine um moleque de 14 anos, que ouvia Spice Girls e usava shorts, chegar numa escola com alunos de 17 anos que ou ouviam rock ou eram clubbers. Falar que foi um choque é pouco perto do que esse ano foi para mim. De bom teve o teatro, aprender a andar por São Paulo (principalmente pela Paulista), a novidade. De reuim, nem listo porque é um ano que prefiro esquecer de muitas coisas, e não pretendo ficar me lamentando eternamente....
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Último ano de Marechal Deodoro da Fonseca, último ano no mundo da fantasia. Foi, de todos no marechal, o ano mais divertido. Era estudar de manhã, conversar o tempo todo e passar tardes na escola ensaiando uma peça escrita, ensaiada e dirigida por nós. Eramos cinco bobos, que não faziam nada, achavam que já haviam visto de tudo e que nosso mundo era completo, perfeito e inatingível. Os finais de semana eram na casa da Priscila, assistindo show das Spice Girls, conversando sobre quem gostava de quem e rindo, porque não tinhamos horário ou grandes obrigações. Era época de não se preocupar com aparência e com os outros, de subir no palco que há em frente à tela do cinema e fazer coreografia da música que estava tocando e olhar para o lado e ver que não estava sozinho. Foi ano de viagem de formatura, conhecer pessoas maravilhosas nos últimos dias de aula e ficar muito triste na formatura. Foi um ano repleto de momentos inesquecíveis que você tem bem guardado no coração para relembrar 6 anos depois, e sentir saudades de uma forma muito gostosa.
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Desde cedo adorei competições entre classe. Nesse ano, foi um projeto sobre meio ambiente e transporte, numa alucinante gincana entre salas. Uma rivalidade básica, mas que não ficou marcada. Foi um ano como qualquer outro, sem momentos. A turma da 6° série já não era a mesma, tudo mudou um pouquinho. O que mais lembro desse ano foi uma pequena professora chamada Lucimar, que tinha uma voz nada coerente com seu tamanho e me mostrou como escrever era gostoso.
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Melhor amiga e uma paixão. Foi vez de assistir ao "Casamento do meu melhor amigo" pensando se isso acontecia na vida real. É uma falha minha, me apaixonar por amigas. Nosso grupinho de 6 pessoas se revezava indo a recém-inaugurada Blockbuster pegar bexigas e pirulitos, cortesia da loja. Iamos para o shopping nas aulas vagas para olhar CD no Carrefour, depois de tomar casquinha no McDonald´s. Na volta, parávamos nos dois orelhões e ligavamos perguntando quem perdera um fusca gelo. Saudades da 6°B, foi um ótimo ano aquele. Saudades das pessoas da 6° B, são ótimas pessoas aquelas.
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Ano de Cavaleiros do Zodíaco, Malhação, Confissões de adolescente e Anos Incríveis. Ano de muitas amizades sem compromisso, de se apaixonar todo mês e nem saber o que é amor. Ano de dividir o grupo em personagens de 'Doug' e sair correndo no meio da aula de ciências para abraçar a professora de português que saiu no começo do ano. Ano de dar apelido para todo mundo, mas não gostar muito dos seus. Ano de se divertir e ser muito, muito feliz.
10
Os sinais da obesidade começam a aparecer. Meu rosto aumentava e minha auto-estima diminuia. Educação física não era mais tão legal...
9
Cena 1
-Quem é sua professora?
-Não sei ainda, não achei meu nome na lista.
-Espero que não seja a Lucila. Falaram que ela grita com todos os alunos, é super chata e exige muito. Ano passado ela fez um aluno chorar na sala!
(Por favor, Lucila não! Por favor, Lucila não...)
Cena 2
-O nome dele não está na lista.
-Deixa eu ver a ficha. Ah! Vamos colocar ele no 3° D. Será ótimo para ele.
Cena 3
-Olá, meu nome é professora Lucila.
P.S. Até hoje dá um frio na barriga quando perguntam a tabuada do 7. Isso é algo comum de acontecer quando a professora fez você escrever 200 vezes a tabuada cada vez que errou.
8
Meu mundo mudou completamente. Saí de onde conhecia todos para um lugar onde não conhecia ninguém. Meu tempo mudou de espaço geográfico. Escola nova, mundo novo. Do puxado colégio particular à boa escola pública. Do aluno exemplo para o aluno relapso, que trazia todo dia um bilhete da professora Vivian reclamando de que ¿o Felipe não fez novamente a lição de casa e não presta atenção na aula.¿ Eu estava é em outro mundo, em um lugar que não gostava. Saí do meu amado cotidiano para um mundo cruel.
7
Minha estréia na dramaturgia. Foi assim:
A Tia Chris falou se eu queria ser o Rei Mago na peça de natal do colégio, e eu recusei porque disse que minha mãe não poderia fazer a roupa. A tia Chris foi até a sala do lado e chamou a minha tia, e vieram me dar bronca falando que eu não tinha que me preocupar com isso e que eu iria apresentar. Quando cheguei em casa levei outra bronca da minha mãe porque quem dizia se dava ou não era ela. Em resumo, eu fui o Rei Mago na peça do Colégio Madre Cabrini, de capa vermelha e coroa dourada. As fotos estão bem escondidas, pra eu ver daqui muito tempo.
6
Ano da tia Lilian. Tia não porque minhas tias são professoras e não admitem ninguém chamando elas de "tia". Até hoje.
Eu era o bobo alegre, sem consequência, sem me preocupar com ninguém, e um jeito que não quero me lembrar muito. Melhor parar até de lembrar.
5
Troquei o uniforme amarelo pelo moleton branco com "MC" em vinho. Adorava aquela roupa, aquela escola, aquela vida. Passava a manhã na casa de minha avó e a tarde na escola. Ia no bosque, pintava camiseta de dia dos pais, porta-jóia de palito de sorvete de dia das mães e não me preocupava com nada.Mudei da Vila Mariana para o Butantã, mas continuava passando 99% do meu tempo lá, no bairro em que cresci.
4
4 anos e eu não lembro de nada. Não consigo dizer algo relevante, simplesmente não lembro. Pelo menos não foi nada traumatizante.
3
Já andava, falava e comia (pouco, na época). Entrei na escola, um berçario chamado Pimpolhinho. Iamos eu e minha irmã de calça azul e camiseta amarela, perto da casa da minha avó, e nunca mais parei de frequentar escolas.
2
Aprendi a falar. Na verdade demorei bastante, a ponto da minha mãe achar que eu nunca mais falaria. Agora ela chora é de tanto que eu falo. Fazer o quê?
E olhando para trás, o que tem?
1
Muito choro, muita fralda suja, muita gente, muito carinho e uma hérnia de umbigo que quase deixou minha mãe louca (culpa do médico!)