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Terça-feira, Julho 29, 2003

Tudo acaba em cotidiano


Tem horas que a vida parece dar voltas. Alguns segundos e você perde o rumo. Não sabe como aconteceu, como resolver, o que fazer, mas tem que enfrentar. Tem que provar que você cresceu e sabe lidar com a situação, com a nova situação, com o problema. Nessas horas gostaríamos de nunca ter declarado nossa independência. Seria tão mais fácil ter os problemas resolvidos por outra pessoa, acordar numa linda manhã e estar tudo bem. Não sei se é inferno astral, se é imaturidade, o que é. Só sei que incomoda, preocupa, muda-nos e desaparece. Uma semana comendo descontroladamente, complicando o descomplicado, pensanndo no certo e no duvidoso para no final, assim como surgiu, desaparecer magicamente. Uma semana e sua vida volta a ser como era, porém, com mais uma cicatriz. Depois de noites mal dormidas, você se pega dormindo tranqüilamente. É assim, tem que ser assim. Só espero lembrar disso da próxima vez, me lembrar que, no final, tudo se acomoda e a vida volta a ser agradável como sempre foi.

Fê_lipe publicou as 7:14 PM

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Sábado, Julho 19, 2003

Sempre assim...



Era sempre assim. Outro dia, mesma rotina. Dormia pensando em refazer seu cotidiano, sonhava com outra vida, mas acordava na mesma. Não percebia propósito em sua existência, não sabia que diferença fazia, se sentia vazio e sozinho. Dormia durante o dia, afinal, melhor dormir que lidar com sua realidade.
Não trabalhava, não estudava. Queria ser alguém, mas não sabia como. Sentia pena de si mesmo e o mais mal-amado em todo universo. Tinha amigos, vários amigos, mas nada que correspondesse aos personagens de seu mundo, de sua imaginação.
Sua relação em casa não era das melhores. Não tinha diálogo com seus pais. Queria tomar as próprias decisões, mas não tinha sobre o que decidir. Começava a se sentir invisível, incorporar esse sentimento que dominava seus pensamentos e controlava sua vida. Era por demais triste viver nesse mundo.
Aprendeu a viver com analgésicos, lendo um livro ou assistindo um filme. Quanto mais perto da vida que queria, melhor. E quanto mais fantasiava sobre a vida que queria, mas se afastava daquela chamada real. Tanto se afastou, que os dias mais especiais deixaram de ser marcantes. Nada mais era bom suficiente para morar em suas lembranças, ninguém era bom suficiente para morar em seu coração. Queria dividir alegria, mas só tinha reclamações. Queria participar da comemoração, mas só passava melancolia. Agora continua se arrastando entre seus dias, esperando que algo mude, esperando que a vida mude, esperando que sua existência faça alguma diferença. Se consume em dó de si mesmo e não pensa em mudar. Só quer desafios e não luta por tais. Entrou num círculo vicioso que nada mais importa, ninguém mais importa, e seu dia-a-dia era sempre assim.

Fê_lipe publicou as 11:52 PM

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Segunda-feira, Julho 14, 2003

Amanhã


Estava feliz. Estava passando por uma fase estranha em sua vida, e essa felicidade repentina tinha que ser aproveitada. Pela primeira vez em muito tempo estava se sentindo uma boa pessoa, alguém de bem com a vida.
Leu, escreveu, conversou, cantou, tudo que era possível para transformar seu dia miserável em algo agradável. Respirava aliviado, duma forma que há muito tempo não respirava, e que já sentia falta.
Como era bom acordar cedo e fazer exercícios. Ter, com intervalo, café-da-manhã e almoço. Esperar ansioso a tarde, pois ela seria tão aproveitável quanto a manhã. Ver o céu azul e se sentir tão minúsculo, sabendo que há tanta vida ao redor!
Estava em êxtase. Sentia-se belo, jovem e confiante. Tinha orgulho de se olhar no espelho. Melhor ainda, havia passeado pelo seu bairro sem vergonha de si e de sua vida. Os vizinhos eram amigos, velhos conhecidos de alguém que sempre esteve no anonimato.
As dores sumiram, o cansaço desaparecera. As doenças que tanto atrapalhavam sua vida tinham desaparecido, pelo menos para ele. Nem lembrava de como era seu cotidiano. Não lembrava de seus velhos hábitos, os quais toda noite prometia mudar. Ele mudará. Havia descoberto uma nova vida. Percebia, pela primeira vez, que era melhor ¿não deixar para depois o que se pode fazer agora¿. Ah, se soubesse disso antes. Tantas vezes deixou para mudar na próxima segunda, no próximo dia, no próximo ano. Todo ano prometia mudar. Toda noite prometia mudar, mas nunca cumpria com sua palavra. Agora provava o que tinha perdido. Sentia, correndo em seu sangue, todos os anos que poderia ter aproveitado. Queria gritar ao mundo como era maravilhosa aquela sensação. Estava explodindo, nada o continha, nada. E nada acontecera. Como num passe de mágica, acordou na sua velha cama, na sua velha vida. Nada tinha mudado. - Amanhã eu mudo.

Fê_lipe publicou as 2:17 AM

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Quarta-feira, Julho 09, 2003

Queria saber...



Queria saber por quê ficamos de mau-humor, se temos tanta coisa para agradecer. Queria saber por quê mentimos, já que a verdade é tão mais simples. Queria saber por quê brigamos, já que isso nos deixa tão mal. Queria saber por quê todos não estão na escola, já que conhecimento é a chave para mudar o mundo. Queria saber por quê as pessoas suicidam, se há tanto para fazer na vida. Tem tanta coisa que eu queria saber! A única coisa que eu sei, é que a cada instante eu aprendo mais, algo novo, algo inesperado, algo mágico. A vida é um aprendizado e, nossa, eu adoro viver! Agora, por quê eu adoro viver...bom, isso eu também não sei.


"You live, you learn
You love, you learn
You cry, you learn
You lose, you learn
You bleed, you learn
You scream, you learn"
(Alanis Morissette)

Fê_lipe publicou as 1:03 AM

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Sexta-feira, Julho 04, 2003

Culpa de quem?



Cinco e meia, madrugada, domingo. Todos com sono, porém conversando animadamente. Entre um blog e outro, eis que surge o inimigo do sossego: o celular. - Quem ligaria nesse horário? - Era o que todos se perguntavam, mesmo já estando acostumados com a freqüente procura por nossa amiga nas mais diversas horas. Atende e fala com alguém muito próximo, algo como mãe, pai, irmão, avó ou namorado. A conversa logo fica mais tensa, preocupante, daquelas que você espera uma bomba como morte na família, inclusive porque telefonema na madrugada é sempre notícia ruim. Esse não fugiria da regra. Era o namorado querendo discutir a relação. Querendo não, discutindo. Durante todo o tempo que conhecemos essa amiga, esta foi a primeira vez que ela mais teve que ouvir do que falar. Dez minutos se passaram, ela dentro do banheiro, tentando fazer o ser, do outro lado da linha, compreender que as respostas que ele queria não seriam dadas naquele instante. Da mesma forma que se assiste um show, resolvemos ir atrás de conforto, saindo da cozinha e indo para a sala, afinal, a conversa iria longe. É quando outra de nossas amigas resolve verificar o celular. Ô praga, esse celular. ¿ Vinte chamadas não atendidas!- É ele. Tinham brigado horas antes, por motivos bestas, mas que namorados adoram implicar. Resolveu ligar para ele. Nessa nova conversa, descobrimos o lado paciente e firme dessa nossa outra amiga. Ambas sentadas no chão, telefones à mão e tentando resolver o impossível, afinal, quando se começa a discutir a relação, é porque já não tem muita relação. Era impressionante a harmonia das garotas. Se combinassem não seria tão perfeito. Expunham suas idéias, exaltavam a voz e silenciavam. A casa morria por alguns instantes, mergulhada no completo silêncio. Retomavam a palavra ao mesmo tempo e tudo se reiniciava. Um dos namorados queria respostas, o outro justificativas. Em comum, só o egoísmo: queriam as namoradas para eles. Nada de amigos, nada de lazer, só devoção a sua pessoa. Elas queriam vida. Um usava do drama, contava como ele estava sofrendo, dando um ar ¿suicida¿ a conversa, algo como ¿não vivo sem você¿. Sorte que tinham grades nas janelas do escritório. O outro agredia. Maltratava-a verbalmente, insultava seus amigos, tudo que pudesse ferir o seu grande amor. Sorte que ninguém estava por perto. Nossa segunda amiga agüentou por uma hora. Desligou com um ¿tá, tchau!¿. A outra, quem falava a mais tempo, suportou uma hora e meia. Quanto a nós, não agüentamos nem o primeiro tempo. Nos dividíamos entre as duas, tentando afugentar o choro, dar suporte, estender um ombro amigo. Sorte que esses namorados não estavam perto. A vontade de espanca-los era enorme, de forma que ¿conversar¿ fosse o menor de seus problemas. Mais alguns minutos e nós que encerraríamos a conversa, fosse desligando o telefone ou trancando-as em algum cômodo da casa. No final, nenhum tinha resposta ou solução. Um ganhará uma super conta telefônica para pagar e o outro não saberia o que é dormir por um bom tempo. Tudo por culpa do celular.

Fê_lipe publicou as 10:44 PM

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Terça-feira, Julho 01, 2003

Aê!! Estou conseguindo fazer meu template!!! Muito Show!! Pode não estar legal, pode não estar pronto, mas é ótimo saber que eu que fiz!!! Até breve......

Fê_lipe publicou as 11:04 PM

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